segunda-feira, 30 de agosto de 2010

do civismo

Caríssimos utilizadores das infra-estruturas actualmente usuais nos passeios marítimos ou ribeirinhos das localidades:

Existem áreas exclusivamente reservadas aos pedestres (normalmente em madeira, os chamados passadiços), interditas a qualquer tipo de veículos (incluindo, por vezes, os carrinhos de bebé);

Existem áreas de lazer ou passeio;

Existem áreas reservadas exclusivamente ao desporto e/ou actividades físicas.

Algumas vezes, por falta de espaço ou por opção de design para melhor aproveitamento do meio, essas áreas são contíguas ou adjacentes. Nestas situações, optaram os autores das mesmas pela sinalização horizontal (pinturas no chão), delineando cada uma delas e assinalando-as segundo o seu objectivo, inclusivamente pintando zebrados (passadeiras) nos locais que têm de ser atravessados por umas ou outras.

O meu esclarecimento vai no sentido de chamar a atenção para a vital importância de respeito pelas referidas sinalizações. Por um lado, pela segurança obtida com tal cumprimento, tanto para pedestres como para ciclistas, corredores, skaters, etc. Por outro lado por uma pura e simples questão de civismo. Do mesmo modo que os pedestres não gostam que quem pratica desporto utilize as áreas reservadas a peões, também estes não podem invadir abusivamente as zonas desportivas, normalmente mais rápidas. Neste último caso, prejudicam também quem tem de abrandar o ritmo (muitas vezes parar totalmente), não só interrompendo o exercício e quebrando ciclos respiratórios e de gastos energéticos/calóricos, mas também tornando mais difícil o reinício dos mesmo e retoma do ritmo anterior.

Espero ter contribuído para uma melhor utilização dos equipamentos que as câmaras ou outras entidades locais têm colocado ao dispor das populações nos últimos anos, bem como a uma melhor convivência entre os diversos utilizadores, sejam casuais ou não.

Ah, já agora, este princípio também pode ser válido para auto estradas (via da esquerda mais rápida e para ultrapassagens, não para circulação contínua), estradas municipais ou locais, passeios, passadeiras (quem quer reclamar de viaturas que não param nas áreas para peões também não pode atravessar onde não lhes é permitido, invadindo áreas exclusivas de veículos), rampas, parques de estacionamento, etc.

Vamos lá tomar atenção a estas situações. E se houver dúvidas ou questões posso tentar esclarecer. O importante é que se comece a cumprir mas, mais que isso, respeitar.

segunda-feira, 23 de agosto de 2010

de mortes recentes

“A propósito das mortes, quase simultâneas, do António Feio, do Ruy Duarte de Carvalho, do Pocinho

Este ano a colheita da ceifeira
Vai boa, a ceifeira sabe da poda
Morrem amigos à fartura, só eu
Não morro, é foda.

Entrementes o estrume faz seu caminho
semeia, separa, semente
atafulha e desbarata, desmente
goza connosco, murmura-nos à orelha
tu para mim vens de carrinho.

Está bem, abelha, amouchamos
que mais podemos fazer, sêmos humanos
e a dor já nem é dor, pois nos apoucamos
e poucos, a pouco e pouco, ficamos.”

Post retirado do blog de Rui Zink


segunda-feira, 16 de agosto de 2010

triste efeméride

Faz hoje dois anos que partiste. Todos os pormenores desse dia estão tatuados na minha memória. Lembro-me de todos os acontecimentos, de todas as horas, de todos os momentos. Lembro-me dos últimos olhares que trocámos, das últimas palavras que te disse. Recordo distintamente os agradecimentos que te fiz e do perdão que te pedi, mesmo ambos sabendo que a responsabilidade não era minha. Tudo ainda é válido. Voltava a fazer tudo novamente e a dizer exactamente as mesmas coisas. Ou se calhar mais ainda.

Passámos juntos pouco mais de uma década. Houve momentos bons e menos bons. Altos e baixos, como em qualquer situação que se prolongue no tempo. Mas no geral foi um tempo de felicidade, de alegrias. Foram tempos muito bons.

Tornaste-me uma pessoa melhor. Ainda hoje isso se nota. Tento não cometer os erros que aconteceram contigo, e penso que consigo. Aprendi contigo e sei que aprendeste comigo. Juntos atingimos metas que se julgavam impossíveis. Apenas foi possível por trabalharmos em conjunto, por fazermos uma equipa motivada, que não se deixava abater e lutava sempre por vencer os obstáculos.

Naquela batalha perdemos. A nossa única derrota. Mas foi definitiva! A vida, a doença, venceu, derrotou-nos. Procuro acreditar diariamente que fizemos tudo o que era possível. Que fizemos tudo da forma correcta. Mas não foi suficiente, não chegou para atingirmos a meta proposta. Tu tiveste de partir e eu tenho de viver com a derrota desde então.

Sei que continuas a olhar para e por mim aí onde estás. E espero que sintas orgulho em mim. Grande parte do que sou e do que faço a ti o devo. E, por isso, agradeço-te, sempre. Obrigado! Sinto a tua falta!

PS: na noite passada sonhei contigo. Há já muito tempo que não acontecia e aconteceu logo na madrugada do dia de aniversário da tua morte. Sei que fizeste algo que provocou isso. Mas não era preciso. Nunca vou esquecer este dia, de tão negro que foi. E nunca me vou esquecer de ti!

terça-feira, 3 de agosto de 2010

decisões

- Tens de ter calma, não te podes precipitar. Se vocês gostam mesmo um do outro, devem falar seriamente sobre isso.

- Já chega de conversas. E o que não foi dito também já esclareceu muita coisa. Temos de nos afastar. Vai ser duro, vou passar um mau bocado. Mas não vou morrer. E mais cedo ou mais tarde fico bem.